Entrevista Exclusiva Jornalista Marcelo Torres


Nosso entrevistado de hoje é um jornalista. Em  2002,  ingressou em um curso de mestrado de jornalismo internacional na Universidade de Westminster em Londres. Depois disso voltou ao Brasil, passou numa seleção da rede britânica BBC em 2004, nesse tempo também trabalhou para rede Globo. Um ano depois, tornou-se correspondente do novo jornalismo do sbt, que naquela época era comandado por Ana paula Padrão hoje na Rede Record. No SBT Brasil ele fez matéria memoráveis como as que veremos no decorrer da entrevista. Depois depois de 9 anos em Londres desses 6 como correspondente do SBT, em 2011 voltou ao Brasil e continua fazendo matérias especiais para o canal

Com mais de 16 anos de experiencia e mais de 50 países percorrido, incluindo zonas de guerras, estou falando do repórter Marcelo Torres que conta um pouco sobre sua profissão.


Câmera Notícia: Qual a maior dificuldade no inicio da carreira?

Marcelo Torres: Provar minhas qualidades no mercado de trabalho, já que não tinha experiência profissional alguma e queria cavar o meu espaço.

Câmera Notícia:: Qual reportagem você mais tem orgulho de ter feito? a reportagem que você diz, caramba, aquela foi fantástica.
Marcelo Torres: Tenho muito orgulho de todas as reportagens em que testemunhei fatos históricos, como as revoluções no Egito e na Líbia. É muito gratificante contar essas histórias ao nosso público com um olhar brasileiro, traduzindo o que acontece em países distantes para a nossa realidade.
Câmera Notícia:: A menos de um ano você disse que pretendia ser ancora um dia, esse dia chegou. Você está substituindo Carlos Nascimento no Jornal do SBT. Qual a maior dificuldade de sair da reportagem para a bancada de uma hora pra outra?
Marcelo Torres:  Venho tendo algumas experiências na bancada e sei que preciso amassar muito barro para ter um dia o peso de um Carlos Nascimento, a quem admiro bastante. Acho que toda a vivência que tive e tenho na reportagem me ajuda quando faço substituições na bancada. Qualquer função é importante numa redação e, como é sempre um trabalho em equipe, não tenho dificuldade em transitar entre essas funções. Somos todos operários da notícia. E é muito estimulante fazer coisas novas, que não eram parte da minha rotina.

Câmera Notícia: Você já percorreu mais de 50 países, falta algum que gostaria de ir?
         Marcelo Torres:  Faltam muitos. Nunca estive na Oceania. Gostaria também de explorar mais a 
           América Latina. Agora, morando no Brasil outra vez, ficou mais fácil.

Câmera Notícia: Você e a Paula Schimidt foram responsáveis por grandes coberturas de conflitos no oriente médio para o SBT Brasil.  A Paula chegou a criticar a imprensa por mostrar a penas o lado israelense do conflito ocorrido em 2006 contra o Líbano. A repórter foi à única jornalista brasileira, pelo menos dos canais abertos, cobrindo o conflito a partir de Beiruti, que foi massacrado por Israel. Como você observou aquele momento e o empenho da repórter durante as matérias?

Marcelo Torres:  Acho a Paula uma grande jornalista. Como não cobri esse conflito específico, não me sinto à vontade para entrar nesse debate. De qualquer modo, as fontes de informação hoje são muito plurais. Quem quer achar um olhar diferente acaba sempre encontrando no mix de opções disponíveis.

Câmera Notícia:  E sua cobertura na Líbia e Egito. Como vocês faziam para enviar as matérias?
Marcelo Torres:  No Egito, como viajamos disfarçados de turistas, gravávamos o material numa câmera de bolso e captávamos o áudio num smartphone. O envio era feito pela internet, que só foi cortada bem no comecinho da revolução. Já na Líbia, como entramos numa fronteira dominada por rebeldes, nossa presença era bem-vinda. Podíamos gravar com câmeras profissionais, mas não havia internet. Nosso material era gerado por satélite num hotel em Benghazi (a capital rebelde). Fizemos isso até o final da nossa estada. Decidimos sair do país quando esse hotel passou a ser alvo de atentados e pouco antes da OTAN começar os ataques aéreos. Ainda consegui embarcar num navio militar americano que fazia parte da ofensiva contra o regime de Kadafi. Consegui gerar em alto mar, mas como a conexão do navio era muito precária, os vídeos eram comprimidos ao mínimo de qualidade aceitável para que ficassem menores e pudessem ser enviados.

Câmera Notícia: Na sua visão quais as perspectiva para o repórter de TV, o avanço das novas mídias pode influenciar negativamente no trabalho e na contratação de um repórter?

Marcelo Torres:  Acredito que com o advento das novas mídias os jornalistas têm que ser cada vez mais versáteis, capazes de desempenhar funções diferentes. O uso de vídeo já é algo normal em sites de jornais impressos, por exemplo. E a multiplicidade de canais, seja na TV aberta, por assinatura, canais online e outros abre muitas oportunidades para repórteres.

Câmera Notícia: Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) apontou o Brasil como o 3ª país que mais oferece risco ao exercício do jornalismo, a trás do México e de Honduras. Você que já sentiu a violência no exercício da profissão, concorda com a afirmação da SIP?
Marcelo Torres:  Cobrir a corrupção e a criminalidade de fato é algo arriscado no Brasil. Como diz meu colega Roberto Cabrini, "denunciados não mandam flores". Pessoalmente, não enfrento muitas dificuldades, mas reconheço que em muitos lugares do Brasil é perigoso ser um jornalista que faz denúncia.
  
Câmera Notícia:Faz 3 anos, que em Junho de 2009, o Supremo Tribunal Federal aprovou quase que por unanimidade a derrubada da obrigatoriedade do diploma de jornalista, como pré-requisito para exercer a função. Qual a sua opinião sobre o caso?
Marcelo Torres:  Defendo o diploma por acreditar que retirar o status universitário da profissão seria enfraquecê-la. Qualquer pessoa é livre no Brasil para expressar suas opiniões em diferentes meios, o que não tem nada a ver com a atividade profissional de um jornalista. Quem é jornalista sabe que raramente expressa sua opinião. A profissão não é isso. É o exercício de apurar, investigar, exercer o contraditório, editar, ter responsabilidade sobre a informação.

Câmera Notícia: Que conselhos você daria ao estudante de jornalismo em inicio de carreira.
Marcelo Torres:  Estejam sempre bem informados, dominem a linguagem de vídeo, treinem a redação, sejam curiosos e versáteis.  O futuro da nossa profissão está nas mãos de vocês.

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