Marte será colonizado em 2025

Imagem divulgada pela fundação holandesa Mars One mostra um desenho de uma base humana em Marte
"A colonização humana de Marte é, literalmente, o próximo grande passo para a humanidade": com essa premissa, a fundação holandesa Mars One impulsiona um projeto que busca, mediante financiamento privado, enviar seres humanos para se estabelecer no Planeta Vermelho.
A seleção dos primeiros colonos, aberta em abril de 2013 a candidatos do mundo todo, tem quatro etapas. Os candidatos deveriam ter mais de 18 anos, gozar de boa saúde, ter aptidões de sobrevivência e conhecimento adequado do inglês.
Mais de 200 mil pessoas de 140 países se apresentaram na primeira convocação. Dessas, foram eleitas 1.058 de 107 países. Para passar à etapa seguinte, os selecionados devem apresentar, no mais tardar em março, exames médicos que atestem sua saúde física e psíquica.
O processo terminará com a seleção de 24 a 40 pessoas que serão treinadas para a missão que quer enviar ao Planeta Vermelho 24 colonos de diferentes nacionalidades.
A ideia é que viajem seis grupos de quatro pessoas cada, a cada dois anos. O primeiro grupo faria a viagem de sete meses em 2025 para chegar a Marte no ano seguinte.
O custo do programa espacial, estimado em 6 bilhões de dólares, será totalmente financiado pela iniciativa privada, por meio de patrocinadores e sócios, contribuições voluntárias e conteúdo midiático gerado pela missão com a venda dos direitos de transmissão.
O projeto é apoiado por cientistas como o holandês Gerard 't Hooft, ganhador do Nobel de Física em 1999, embora tenha despertado muitas dúvidas sobre sua viabilidade.
Até agora, nenhum voo tripulado chegou a Marte, aonde os Estados Unidos conseguiram mandar robôs. O último deles, o Curiosity, chegou ao Planeta Vermelho em agosto de 2012.
O envio de seres humanos a Marte traz muitos desafios, como a impossibilidade de voltar à Terra devido ao custo elevado e às dificuldades que isso implicaria - onde viveriam, a falta de comida e o risco da radiação.
Além disso, não existe ainda um foguete e uma cápsula capaz de transportar esses voluntários.
Anunciado inicialmente para 2024, em dezembro passado a fundação adiou em um ano a data da primeira viagem. Mas, ao mesmo tempo, anunciou a assinatura de um contrato de US$ 250 mil com a Lockheed Martin Space Systems, a divisão espacial da empresa americana, para estudar o "desenho conceitual" de uma nave espacial Mars Lander.
Esse aparelho será enviado primeiro ao Planeta Vermelho em 2018, sem seres humanos a bordo.
A Mars One também firmou outro contrato, de US$ 80 mil, com a britânica SSTL (Surrey Satellite Technology Ltd) para desenvolver um satélite de comunicações para transmitir informação de Marte para a Terra.
No mês passado, a fundação holandesa também lançou uma página na web para arrecadar fundos para a missão.

Setenta latino-americanos integram a lista de mil pessoas de todo o mundo classificadas para a segunda fase do processo seletivo da fundação holandesa Mars One, que quer enviar colonos a Marte a partir de 2025, sem possibilidade de retorno.
Homens e mulheres de idades diferentes do Brasil, Argentina, Chile, Colômbia, El Salvador, Guatemala, México, Peru, República Dominicana e Uruguai estão dispostos a abandonar os estudos e os trabalhos em áreas tão diferentes quanto informática, jornalismo e medicina, entre outras, e se mudar para Marte, a 570 milhões de quilômetros da Terra.

"Quando a gente tem espírito científico, nada melhor do que esta oportunidade de conhecimento e experimentação", declarou Manoel Belém, um físico brasileiro de 58 anos que mora em São Paulo e que afirma querer ir a Marte "para alimentar a alma".
Piloto formado e redator de um blog de poesias, Belém se considera apto para ser um dos 24 eleitos que a Mars One espera enviar a Marte a partir de 2025 em grupos de quatro astronautas a cada dois anos. Para ele, que estaria com 70 anos no momento da viagem, não tem muita importância que a viagem seja só de ida.

Outro latino-americano na fila, o uruguaio Yuri López, de 27 anos, ex-integrante de uma tropa de elite da polícia em seu país, que atualmente trabalha em uma empresa de tecnologia, tampouco se sente incomodado com a ideia de não voltar.
"Eu iria com uns 37 anos, se estivesse entre os primeiros quatro, com um monte de coisas vividas, para terminar meus dias em um horizonte completamente diferente", afirmou. "A expansão do ser humano no universo é fundamental", prosseguiu.

Como Colombo ou Magalhães

Apesar do apoio do holandês Gerard 't Hoofd, ganhador do prêmio Nobel de Física em 1999, o projeto da Mars One desperta muito ceticismo. Além do custo, estimado em 6 bilhões de dólares, o projeto, que lançou no começo do ano uma campanha mundial de arrecadação de fundos, enfrenta muitos obstáculos.
Após se submeter a perigosas radiações cósmicas durante a longa viagem, os primeiros colonos de Marte não poderão voltar à Terra. Eles terão que viver em pequenos hábitats, encontrar água, produzir oxigênio e cultivar os próprios alimentos. Tudo isso em um planeta que é um grande deserto, cuja atmosfera é constituída de dióxido de carbono e onde a temperatura média é de -63°C.
Estas condições, no entanto, não desanimam os latino-americanos pré-selecionados, que tiveram quedemonstrar cinco qualidades-chave para avançar no processo de seleção: resistência, adaptação, curiosidade, habilidade para confiar nos outros e criatividade.
"Um monte de coisas pode dar errado e isso dá mais tempero à missão, que é a aventura máxima da humanidade, do meu ponto de vista", disse López.
"Eu vejo isto como algo épico. Penso que estas primeiras quatro pessoas que forem terão uma tarefa similar à que teve Cristóvão Colombo ou Magalhães, de partir rumo a um destino que não conhecem. E serão lembradas por toda a História", acrescentou.

"Uma nova sociedade"

Para alguns candidatos, como o legislador mexicano Andrés Eloy Martínez Rojas, colonizar Marte representa uma segunda chance para a humanidade, que poderia, assim, "desenvolver outra economia, outro estilo de vida que poderia, inclusive, beneficiar a Terra" diante dos problemas de superpopulação e aquecimento global que sofre.
Até agora só foram feitas missões com robôs em Marte, todas realizadas com sucesso pela Nasa (Agência Espacial Americana). O robô Curiosity, que chegou ao planeta em 6 de agosto de 2012, já constatou que Marte foi propício à vida microbiana  num passado remoto.

FONTE: Notícias Yahoo

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