A Notícia #1 - Os hippies de Arembepe, 40 anos depois de uma geração, quase tudo mudou.

A Notícia propõe uma reflexão, debate sobre os temas da atualidade. Será um espaço onde o comentário sobre de terminado assunto irá propor que as pessoas exponham suas opiniões, uma interação simultânea, no site e aqui nessa fãpage . Os fatos que mexem com a sociedade, provoca reações e estimulam a formação de pensamento crítico, serão pautado no "A Notícia"

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Decidi começar a primeira edição dessa coluna tendo como pano de fundo minha última viagem. No final de fevereiro me lancei na inimaginável loucura (para alguns) de acampar na aldeia hippie de Arembepe, localizada em Camaçari, no estado da Bahia. A aldeia fica a pouco mais de 58 quilômetros da capital daquele estado, Salvador.


Para me lançar nessa viagem, carreguei uma barraca, roupas, um lençol e um inconvenientemente pesado colchão inflável. Para chegar em Arembepe precisei passar aproximadamente uma hora e mais alguns minutos dentro de um ônibus que faz a linha verde. No início, o plano era passar 2 dias em Arembepe e mais 2 na exuberante e badalada Praia do Forte, que fica mais alguns quilômetros da aldeia.

Arembepe é reverenciada como um dos últimos redutos hippies do auge do movimento, lá na década de 60,70. Inclusive essa aldeia recebeu há muito tempo presença de personalidades que vendem músicas como os astros Mick Jagger e Keith Richards em 1968, e a roqueira Janes Joplin em 1970. Todos curtiram o estilo “Paz e Amor”, tranqüilo... Nada que lembre as canções extremamente perturbadoras e barulhentas quando se apresenta em shows pelo mundo a fora. Quarenta anos depois da passagem dessas figuras do rock, resolvi matar minha curiosidade sobre esse lugar “exótico” da Bahia.


Atualmente a vila cada vez mais se distancia da cultura hippie, mas podemos ainda ver características intrínseca como os famosos dreads, o cheiro peculiar do cigarro, o artesanato de apetrechos “hippies”. Se os avanços tecnológicos não chegaram lá, o capitalismo sim, a final por mais desprendido do mundo que uma pessoa seja, é quase impossível convencer a todos em uma comunidade que se deve viver somente da terra. Os campings são pagos, o que atualmente vendo que perderam as ideologias, cobrar por acampar é extremamente válido, porem contraditória com a imagem que a comunidade quer manter a de “aldeia hippie” será? A venda ali rola solta, tem uma feirinha de artesanato e a casa do seu Luiz que pinta umas camisetas como ninguém.


O assédio para que você comece o dia “Paz e Amor” é grande. Existem algumas pessoas da própria aldeia assanhadas de mais. E que se acham de mais. Dizer que as companhias influenciam é uma meia verdade, pois depende muito mais de você do que qualquer outra pessoa se jogar no “Paz e Amor”. Na aldeia algumas pessoas são gentis, te ajudam na montagem da barraca e te tira de alguns apuros, como quando seus instrumentos de camping não funcionam como deveriam. Ponto positivo pra eles! Limpeza é algo que é possível ver, diferentemente de nossas praias, onde alguns de nosso povo não são ainda minimamente educados o suficiente para levar seu lixo e colocá-lo no local apropriado. Em Arembepe, não vi lixo. Ha, e é um lugar fantástico para passar alguns dias.




Se os hippies da aldeia perderam a essência da coisa, talvez seja por conta da proximidade com a cidade Arembepe, 1 quilômetro aproximadamente. A cidade em si, organizada, bonita, o comércio lindo. Os preços são acessíveis. Se me perguntarem o que achei da aldeia, certamente direi que eles não são mais uma comunidade hippie, apenas uma comunidade alternativa. Se vale apena visitar, claro! O dia e a noite são encantadores, O som das ondas é a mais bela música que se escuta durante a noite. Lá as estrelas e a lua brilham mais e o por do sol invade as areias da praia com feixes de luz do crepúsculo espetacular. Tem muita gente legal lá, afastar-se do preconceito é um exercício de liberdade, é uma forma de aproveitar mais a vida no campo e esquecer os problemas deixados na cidade. 

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Para pensar... As ideologias do movimento hippies da década de setenta, ainda existem ou elas se tornaram apenas fantasias, de uma lembranças dos bons tempos onde a ousar significava, amar e viver livremente?

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