Chefe da Interpol diz não ver indícios de terrorismo em voo desaparecido

11/3 - O secretário-geral da Interpol, Ronald Kenneth Noble (2º da direita) fala à imprensa ao lado de outros oficiais enquanto é exibida a foto dos dois suspeitos no desaparecimento do voo MH370, em Lyon, no sul da França (Foto: Philippe Desmazes/AFP)Militares da Malásia acreditam que o avião que desapareceu há quase quatro dias com 329 pessoas a bordo voou por mais de uma hora após desaparecer das telas do controle de tráfego aéreo, alterando sua rota e viajando para oeste, sobre o Estreito de Malaca, disse à Reuters uma fonte militar nesta terça-feira (11).
O Estreito de Malaca, um das mais movimentadas rotas marítimas do mundo, separa a parte continental da Malásia (e também Cingapura) da ilha indonésia de Sumatra.
A companhia aérea e as autoridades locais ainda não deram informações oficiais sobre o assunto.
As autoridades inicialmente disseram que o voo MH370 desapareceu cerca de uma hora depois de decolar de Kuala Lumpur com destino a Pequim.
Nesse momento, ele estava mais ou menos a meio caminho entre a localidade malasiana de Kota Bharu e a ponta sul do Vietnã, a uma altitude de 35 mil pés (10.670 metros).
Fotos divulgadas pela polícia da Malásia mostram os dois passageiros que embarcaram com passaportes roubados no voo MH370 da Malaysia Airlines, que desapareceu no sábado (8) entre Kuala Lampur e Pequim. À esquerda está o jovem identificado como Pouria Nou (Foto: Polícia da Malásia/AFP)
O chefe da Interpol disse na terça-feira (11) que avalia que o desaparecimento do avião da Malaysia Airlines no fim de semana não foi um incidente terrorista.
"Quanto mais informações obtemos, mais inclinados estamos a concluir que não se trata de um incidente terrorista", disse o secretário-geral da Interpol, Ronald Noble.
Em relação à presença a bordo do avião de duas pessoas que viajavam com passaportes europeus falsos, "trata-se de um tráfico de seres humanos", acrescentou. "Estamos cada vez mais certos de que estes indivíduos não são terroristas", ressaltou.
Segundo Noble, os dois passageiros que viajavam com passaportes roubados, austríaco e italiano, são dois iranianos que voaram de Doha a Kuala Lumpur com seus passaportes iranianos. Eles não utilizaram os passaportes europeus até embarcarem na Malásia.
O avião da Malaysia Airlines, um Boeing 777, desapareceu na madrugada de sábado (hora local) com 239 pessoas a bordo. O voo MH370 fazia a rota Kuala Lumpur a Pequim, na China.
A polícia internacional disse não acreditar que outros passaportes suspeitos foram usados por outros passageiros.
A Interpol divulgou dois nomes "que figuravam nos passaportes iranianos" sem a certeza de que correspondam aos dois passageiros. Eles são Puri Nur Mohamad, de 19 anos, e Delavar Seyed Mohamad Reza, de 30.
Puri Nur Mohamad foi identificado como Eouria Nour Mohammad Mehrdiad pelas autoridades da Malásia. A polícia da Malásia ainda não identificou o segundo passageiro.
"Agora que conhecemos a identidade destas pessoas, sabemos que abandonaram Kuala Lumpur para ter um status de refugiado e podemos nos concentrar no grupo criminoso que lhes permitiu viajar", disse o chefe da Interpol.
Noble assegurou que a colaboração com os outros países na investigação é boa, mas disse que a Ásia deveria utilizar com maior frequência a base de dados criada em 2002 que contém informação de documentação roubada.
"Quatro de cada dez passageiros em voos internacionais poderiam estar em posse de passaportes que foram declarados roubados", disse Noble.
O funcionário explicou que costumam ser seus proprietários legítimos que, após denunciarem sua perda, os encontram e voltam a utilizá-los


0 comentários:

Não serão aceitos comentários que envolvam crimes de calúnia, ofensa, falsidade ideológica, multiplicidade de nomes para um mesmo IP ou invasão de privacidade pessoal / familiar a qualquer pessoa. Comentários sobre assuntos que não são tratados aqui também poderão ser suprimidos, bem como comentários com links. Serão suprimidos todo e qualquer comentário com teor preconceituoso.