A coqueluche reacionária no SBT

Depois de muitos anos relegado ao ostracismo, o jornalismo do SBT vem sendo revigorado comchorumes polêmicas produzidas por seus jornalistas. Depois das experiências revolucionárias comAqui e Agora e o Jornal das Pernas - em que jornalistas oriundas da Casa dos Artistas exibiam e cruzavam as pernas de forma sincronizada - , a emissora de Sílvio Santos amadureceu e segue em busca de uma credibilidade nunca antes alcançada.
Com um time destro de matar de orgulho a família #SouReaçaMasTôNaModa, o SBT espalhou pelo Brasil os quadros mais aguerridos do jornalismo opinativo brasileiro. São três os maiores expoentes dessa modalidade: Luis Carlos Prates em Santa Catarina, Paulo Eduardo Martins no Paraná e a diva Rachel Sheherazade, trazida da Paraíba para brilhar em rede nacional.
Shera, a camisa 10 do time, foi escolhida a dedo por Sílvio Santos para apresentar o principal jornal do canal. Suas opiniões fortes e conservadoras foram justamente o que encantaram o empresário. Cheia de confiança com o apoio do patrão, a colega de trabalho se sentiu à vontade para partir para o ataque contra tudo-o-que-está- aí, tornando-se uma das principais porta-vozes do senso comum. No auge do seu reacionarismo, Shera disse considerar compreensível o linchamento como instrumento de combate ao crime, o que causou revolta em uns e conquistou admiração de outros. A jornalista também já polemizou ao defender as loucuras do pastor Marco Feliciano e minimizar os pequenos delitos de Justin Bieber.
O catarinense Luis Carlos Prates também ganhou destaque com seu conservadorismo sessentista. Com uma eloquência e um linguajar rebuscado de fazer inveja ao Professor Gravatinha, Luis é capaz de transformar um telejornal num mural do Facebook das Senhoras de Santana:
"O Brasil nunca cresceu tanto quanto sob a chamada Ditadura Militar. Estradas rasgaram o Brasil, universidades foram multiplicadas. Ciência e tecnologia começaram para valer no país sob a tutela dos militares. (...) Que tipo de progresso veio com a chamada democracia? (...) A imoralidade tomou conta de todos nós. Que Brasil é esse que melhorou? "
Tio Prates brada com tanta firmeza, que quase esqueço os US$102 bilhões de dívida externa deixados pela ditadura, uma quantia equivalente a 53,8% do PIB do país. Isso pra não falar na estagnação econômica e da inflação disparada nos últimos anos do regime, verdadeiras heranças malditas para a democracia. Quase também esqueço do carinho recebido pelos jornalistas críticos aos militares: paus-de-arara, choques elétricos, unhas arrancadas e assassinatos. Prates, usufruindo de uma concessão pública, desmoraliza vigorosamente o mesmo estado de direito que lhe permite criticá-lo. Um show de coerência.
Paulo Eduardo Martins, outra jovem revelação da emissora de Sílvio, também costuma banalizar o termo "ditadura" e lutar quixotescamente contra o fantasma comunista. Adepto do jornalismo-verdade-verdadeira, Paulinho não pensa duas vezes antes de desprezar o povo brasileiro e xingar o telespectador que não concorda como ele:
"O brasileiro não faz nada. O brasileiro merece a ditadura do PT. (...) Só idiota acredita que ditadura se faz com tanque na rua. Não é assim não, ô animal! (...) e o louco sou eu quando falo isso. Então dane-se todo mundo também. Tem que viver com a ditadura do PT mesmo"
E pra se juntar ao trio-de-ferro do jornalismo do SBT, temos o também paranaense Lourival Santos, que ficou famoso essa semana ao ser preso após xingar um jogador de "macaco". Até me lembrou outro integrante da casa, Danilo Gentili, que gentilmente ofereceu bananas para um negro que ousou criticar as piadas racistas do seu programa.
Todas essas estripulias dos colegas de trabalho acabaram tendo um preço. Shera não dará mais opinião no Jornal do SBT, o Jornal da Massa não contará mais com as polêmicas de Paulinho e Lourival foi afastado da emissora pelo ato racista. Enquanto os fãs culpam o regime comunista pela censura, Shera e Paulinho garantem não ter sido esse o motivo. Pressionado pelo Ministério Público, anunciantes e telespectadores, Sílvio se viu obrigado a mudar o formato dos seus jornais e dar menos ênfase à opinião. Mas o SBT é uma emissora gigante e, com certeza, abrigará os reacionários em outros programas da casa, tais como: A Praça É Nossa, The Noite e Programa do Ratinho.
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