Corpo de dançarino do 'Esquenta' é enterrado com chuva, funk e aplausos

(Foto: Ricardo Moraes / Reuters)
Foi enterrado, às 15h35 desta quinta-feira (24), o corpo do dançarino Douglas Rafael da Silva Pereira, conhecido como DG. A cerimônia, no Cemitério São João Batista, em Botafogo, Zona Sul do Rio, foi realizada debaixo de muita chuva, emoção, funk e aplausos das cerca de 400 pessoas presentes. Alguns chegaram a ficar em cima do muro para poder ver o enterro e outros soltaram fogos. Após o enterro, cerca de 300 pessoas saíram em passeata em direção à comunidade Pavão-Pavãozinho, em Copacabana, local do crime, fechando ruas do bairro. Às 16h30, a Avenida Nossa Senhora de Copacabana estava fechada e houve confusão.

Durante o enterro, muitas músicas foram cantadas por amigos e familiares. Uma delas foi o funk "Rap da felicidade", de Cidinho e Doca, que tem na letra versos como "O que eu quero é ser feliz, andar tranquilamente na favela onde eu nasci".

A apresentadora do programa "Esquenta!" da TV Globo, Regina Casé, que trabalhou com DG por quatro anos, estava muito emocionada ao chegar no cemitério e falar sobre a morte do dançarino.

"Se fosse uma pessoa que eu nunca vi na vida, que eu não conhecesse, eu ficaria chocada de qualquer maneira", disse a apresentadora, muito emocionada, e lembrando que, em quatro anos de programa com participação de DG, ele se mostrou sempre pontual e dedicado. "Era um excelente profissional, todas as crianças amam, muito criativo."

Mais cedo, Regina Casé já havia postado uma mensagem em seu perfil no Instagram. "Abraçados..., de roupa...., chorando.... adormecemos por algumas horas. Hoje o dia vai ser duro. Apoiar e amparar sua família, a minha, a nossa... E procurar forças pra enterrar nosso menino e buscar coragem pra continuar... DG Vem que vem pra sempre pros nossos corações!", escreveu.

Protesto
Um grupo formado por mais de cem pessoas, liderado por dezenas de motociclistas saiu de Copacabana, onde fica a comunidade Pavão-Pavãozinho, para protestar na porta do cemitério contra a política de pacificação. DG, dançarino do programa de Regina Casé na TV Globo, foi encontrado morto após ser atingido por um tiro na terça (22) em uma creche da favela pacificada. O velório do dançarino começou na quarta-feira (23).

Uma chuva forte caiu por volta das 14h30, mas não esfriou os ânimos da manifestação. "Não vai ter Copa" foi o primeiro grito que se ouviu quando o grupo se aproximava da saída do Túnel Velho. Em seguida, as palavras de ordem exigiam o fim da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), que era chamada de "assassina". Os manifestantes foram aplaudidos por quem já estava no velório do dançarino.

A mãe de DG, Maria de Fátima Silva, disse que não gostaria da presença de policiais no enterro de seu filho. "Eu não quero eles aqui. Aqui estão os amigos do meu filho, que vieram 

se despedir dele. Não tem bandido aqui. Eles não têm que estar aqui", dizia ela ao perceber a intensa movimentação policial que se formou após a chegada do grupo que saiu a pé da comunidade Pavão-Pavãozinho para protestar. Durante toda a manhã não havia policiamento nos arredores do cemitério.

'Esquenta!'
Douglas Rafael fazia parte do Bonde da Madrugada, do programa "Esquenta!". Em nota enviada no dia da morte de DG, Regina Casé lamentou a morte e pediu que o crime seja esclarecido.

"Eu estou arrasada e toda a família Esquenta está devastada com essa notícia terrível. Uma tristeza imensa me provoca a morte do DG, um garoto alegre, esforçado, com vontade imensa de crescer. O que dizer num momento desses? Lamentar claro essa violência toda que só produz tragédias assim. Que só leva insegurança às populações mais pobres do país. Agora, é impossível saber exatamente o que houve. Mas é preciso que a Polícia esclareça essa morte, ouvindo todos, buscando a verdade. A verdade, seja ela qual for, não porá fim à tristeza. Mas é o único consolo", disse.

A assessoria de imprensa da Globo também se manifestou: "A família Esquenta! está profundamente abalada e triste com a notícia da morte. Perdemos um dos mais criativos dançarinos que já conhecemos em qualquer palco. Desde a primeira temporada do nosso programa, há quatro anos, DG só alegrava nossas gravações. Ele vai sempre ser lembrado em nossas vidas por estas duas palavras: alegria e criatividade".

Reforço
O policiamento continuava reforçado na manhã desta quinta-feira nas proximidades do Morro Pavão-Pavãozinho, após o protesto violento da terça (22), quando foi achado o corpo do dançarino.

Fonte: Gazetaweb

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