Greve geral na Argentina paralisa transporte público e deixa ruas vazias

A Avenida Nove de Julho, uma das mais movimentadas do centro de Buenos Aires, vazia. A estação Retiro de trem deserta. Empresas fechadas e muitos trabalhadores em casa. Nada de trem, ônibus ou metrô. A Argentina vive nesta quinta-feira (10) uma greve geral promovida por sindicatos de trabalhadores que paralisa o transporte público, provoca cancelamento de voos domésticos e internacionais, suspende serviços de coleta de lixo e de abastecimento e deixa muita gente a pé.

“Mais de um milhão de trabalhadores cruzaram os braços”, afirma Juan Carlos Schmid, secretário-geral de um sindicato de trabalhadores no setor de dragagem. Ele disse que a greve “é muito forte”. Já o chefe de gabinete do governo argentino, Jorge Capitanich, considerou o movimento “um grande piquetaço” liderado por sindicalistas que respondem a um setor de oposição à presidente Cristina Kirschner.
Posto de gasolina fechado na cidade de Benavidez, província de Buenos Aires (Foto: Daniel Garcia /AFP)
Posto de gasolina fechado na cidade de
Benavidez, província de Buenos Aires (Foto: Daniel
Garcia /AFP)
Policiais dentro da estação Retiro quase vazia, em Buenos Aires, devido à greve geral (Foto: Natacha Pisarenko/AP)
Policiais dentro da estação Retiro quase vazia, em
Buenos Aires, devido à greve geral (Foto: Natacha
Pisarenko/AP)
Os grevistas dizem que o governo subestima o movimento e ignora a realidade na qual 35% dos trabalhadores não estão oficialmente registrados. Os sindicatos querem negociações salariais sem tetos, aumento para os aposentados, revogação do imposto que se aplica aos salários e a distribuição de fundos que o Estado deve aos prestadores de saúde dos sindicatos.
Pela manhã, piquetes realizados em vias de Buenos Aires na Argentina, terminaram em confronto entre manifestantes de esquerda e policiais que tentavam dispersá-los.
Desde a madrugada grupos de esquerda radical formaram piquetes nas principais rotas de acesso a Buenos Aires.
Segundo o jornal Clarín, a rota Panamericana, que dá acesso à capital federal, amanheceu bloqueada. Policiais foram para o local e houve um confronto. Os policiais dispararam balas de borracha, enquanto alguns manifestantes responderam jogando pedras.
Fogueira foi iniciada por manifestantes diante da barreira de policiais na rodovia bloqueada em Buenos Aires (Foto: Enrique Marcarian/Reuters)
Fogueira foi iniciada por manifestantes diante da
barreira de policiais na rodovia bloqueada em
Buenos Aires (Foto: Enrique Marcarian/Reuters)
Confronto
Pelo menos uma pessoa foi detida. Segundo o jornal La Nación, pelo menos duas pessoas ficaram feridas - um manifestante e um policial. Ambos foram socorridos. Após o momento de tensão, a situação se acalmou na região.

A greve começou no primeiro minuto desta quinta com o cessar das atividades nos postos de combustível e transporte público, setor-chave para que a ação sindical tenha êxito neste país de 40 milhões de habitantes.
Em entrevista coletiva, o chefe de gabinete do governo argentino, Jorge Capitanich, afirmou que os organizadores da greve "pretendem sitiar os grandes centros urbanos com um grande piquete nacional", em referência aos 40 cortes e bloqueios de vias estabelecidos em todo o país.
"Essa é uma antiga metodologia medieval. Na Idade Média, os senhores feudais impediam o acesso à população. Não há lugar para a barbárie nem para medidas que conspiram contra o livre direito de greve dos trabalhadores", disse Capitanich à agência EFE.
"O direito a greve é um direito consagrado na Constituição e me parece completamente legítimo seu uso", argumentou o chefe de Gabinete, embora "o que não se pode fazer é impedir o livre exercício desse direito", acrescentou.
"Há trabalhadores que não estão de acordo e não podem ir para seus lugares de trabalho", denunciou.
“Mais de um milhão de trabalhadores cruzaram os braços”, afirma Juan Carlos Schmid, secretário-geral de um sindicato de trabalhadores no setor de dragagem. Ele disse que a greve “é muito forte”. Já o chefe de gabinete do governo argentino, Jorge Capitanich, considerou o movimento “um grande piquetaço” liderado por sindicalistas que respondem a um setor de oposição à presidente Cristina Kirschner.
Posto de gasolina fechado na cidade de Benavidez, província de Buenos Aires (Foto: Daniel Garcia /AFP)
Posto de gasolina fechado na cidade de
Benavidez, província de Buenos Aires (Foto: Daniel
Garcia /AFP)
Policiais dentro da estação Retiro quase vazia, em Buenos Aires, devido à greve geral (Foto: Natacha Pisarenko/AP)
Policiais dentro da estação Retiro quase vazia, em
Buenos Aires, devido à greve geral (Foto: Natacha
Pisarenko/AP)
Os grevistas dizem que o governo subestima o movimento e ignora a realidade na qual 35% dos trabalhadores não estão oficialmente registrados. Os sindicatos querem negociações salariais sem tetos, aumento para os aposentados, revogação do imposto que se aplica aos salários e a distribuição de fundos que o Estado deve aos prestadores de saúde dos sindicatos.
Pela manhã, piquetes realizados em vias de Buenos Aires na Argentina, terminaram em confronto entre manifestantes de esquerda e policiais que tentavam dispersá-los.
Desde a madrugada grupos de esquerda radical formaram piquetes nas principais rotas de acesso a Buenos Aires.
Segundo o jornal Clarín, a rota Panamericana, que dá acesso à capital federal, amanheceu bloqueada. Policiais foram para o local e houve um confronto. Os policiais dispararam balas de borracha, enquanto alguns manifestantes responderam jogando pedras.
Fogueira foi iniciada por manifestantes diante da barreira de policiais na rodovia bloqueada em Buenos Aires (Foto: Enrique Marcarian/Reuters)
Fogueira foi iniciada por manifestantes diante da
barreira de policiais na rodovia bloqueada em
Buenos Aires (Foto: Enrique Marcarian/Reuters)
Confronto
Pelo menos uma pessoa foi detida. Segundo o jornal La Nación, pelo menos duas pessoas ficaram feridas - um manifestante e um policial. Ambos foram socorridos. Após o momento de tensão, a situação se acalmou na região.

A greve começou no primeiro minuto desta quinta com o cessar das atividades nos postos de combustível e transporte público, setor-chave para que a ação sindical tenha êxito neste país de 40 milhões de habitantes.
Em entrevista coletiva, o chefe de gabinete do governo argentino, Jorge Capitanich, afirmou que os organizadores da greve "pretendem sitiar os grandes centros urbanos com um grande piquete nacional", em referência aos 40 cortes e bloqueios de vias estabelecidos em todo o país.
"Essa é uma antiga metodologia medieval. Na Idade Média, os senhores feudais impediam o acesso à população. Não há lugar para a barbárie nem para medidas que conspiram contra o livre direito de greve dos trabalhadores", disse Capitanich à agência EFE.
"O direito a greve é um direito consagrado na Constituição e me parece completamente legítimo seu uso", argumentou o chefe de Gabinete, embora "o que não se pode fazer é impedir o livre exercício desse direito", acrescentou.
"Há trabalhadores que não estão de acordo e não podem ir para seus lugares de trabalho", denunciou.
Os voos da empresa que chegam e saem do aeroporto de Ezeiza, também em Buenos Aires, não foram afetados, assim como os da cidade de Rosário, informou a TAM. A Gol, que também realiza voos para a Argentina, não informou ao certo quantos foram afetados pela greve, mas informações em seu site mostram que dois voos de São Paulo com destino ao Aeroparque foram cancelados, enquanto outros três voos com destino a Ezeiza registravam atrasos.
As companhias aéreas Aerolíneas Argentinas, Austral, LAN e outras empresas privadas paralisaram suas operações, confirmou o titular da Associação de Técnicos Aeronáuticos (APTA), Ricardo Cirielli, à rádio Continental.
A chilena LAN, que conta com quase 30% do mercado doméstico argentino, "se viu na obrigação de cancelar todos os voos dentro da Argentina e alguns internacionais devido à greve", explicou a empresa.
O protesto, ao qual aderiram os sindicatos dos transportes públicos e importantes associações de caminhoneiros e servidores públicos, reivindica um reajuste dos salários e uma redução dos altos impostos que incidem sobre a renda, após uma desvalorização do peso argentino de 35% em 12 meses.
Os principais portos argentinos, como os de Rosário e de Formosa, permanecem sem atividade, pois o sindicato do setor aderiu à greve.
No restante do país, o desemprego afeta principalmente o transporte urbano, a coleta de lixo e os postos de gasolina.
Em algumas províncias, como Córdoba, Santa Fé e San Juan, a paralisação do transporte atingiu também colégios e alguns hospitais.
Grevista se posiciona em frente a policiais durante bloqueio a avenida em greve geral na Argentina (Foto: Enrique Marcarian/Reuters)
Grevista se posiciona em frente a policiais durante
bloqueio a avenida em greve geral na Argentina
(Foto: Enrique Marcarian/Reuters)
O secretário-geral da Confederação Geral do Trabalho (CGT), Hugo Moyano, um dos organizadores da greve, disse que a presidente se comporta com "orgulho" e pediu que ela ouça às queixas.
"A paralisação é para ratificar que haja articulações (negociações salariais) livres", disse Moyano, que também pediu um aumento salarial "de emergência" aos aposentados e medidas governamentais para conter a crescente violência urbana.
Moyano, também líder dos caminhoneiros, comanda um sindicato do qual dependem desde o transporte de jornais, combustíveis e valores até a coleta de lixo e a provisão de comida para as companhias aéreas.
Uma das razões da greve é a reivindicação de uma atualização, devido à inflação, do imposto incidente sobre os lucros, que se aplica aos salários.
A Argentina sofre com uma das maiores taxas de inflação do mundo enquanto a economia dá sinais de esgotamento após quase uma década de forte crescimento.
A tabela salarial sobre a qual incide o imposto foi atualizada apenas em anos recentes e acabou defasada por causa dos ajustes salariais em decorrência da elevada inflação, que supera os 30% anuais.
A tabela do imposto não se atualiza automaticamente em relação ao custo de vida e depende somente da decisão da presidente.
O governo afirmou que o protesto tem motivos políticos e não sindicais, ao acusar os sindicalistas de estarem alinhados com o líder opositor Sergio Massa, um peronista que abandonou o governo e agrupa atrás de si as forças de oposição, visando as eleições presidenciais no fim de 2015.
A greve, que se prolonga por toda a quinta, vai afetar a principal região agroexportadora no momento em que a colheita de soja, principal plantação do país, está no auge.
A Argentina é o maior exportador mundial de óleo e farinha de soja e o terceiro de milho.
A alta instabilidade social da Argentina, onde são frequentes o bloqueio de ruas e as manifestações sociais, deve se intensificar durante a realização das negociações salariais anuais, que acabam de começar entre os sindicatos e as organizações patronais.

G1

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