Justiça do Rio define se acusados de matar cinegrafista vão a júri popular

Caio (de óculos) e Fábio no Tribunal de Justiça do Rio (Foto: José Pedro Monteiro / Agência O Dia / Estadão Conteúdo)
Caio (de óculos) e Fábio no tribunal (Foto: José Pedro Monteiro / Agência O Dia / Estadão Conteúdo)
A 3ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio começou a ouvir, na tarde desta sexta (25), as primeiras das 17 testemunhas do caso Caio Silva de Souza e Fábio Raposo, acusados de provocar a morte do cinegrafista da TV Bandeirantes Santiago Andrade durante protesto em fevereiro deste ano.
Até as 17h, quatro testemunhas de acusação haviam sido ouvidas. No total, são 8 de acusação e 9 de defesa, o que pode levar a outras duas audiências. Na última delas, a dupla será interrogada e, por fim, o Ministério Público, que ofereceu a denúncia, e os advogados de defesa farão suas alegações finais. Enfim, o juiz Murilo Kieling, definiria se a dupla irá a júri popular por homicídio doloso triplamente qualificado.
Prisão
A Justiça aceitou em 20 de fevereiro a denúncia do Ministério Público contra os dois acusados. Raposo e Caio também tiveram a prisão temporária convertida em preventiva. Se condenados, eles podem receber pena de até 30 anos de prisão cada um.

A promotora Vera Regina de Almeida, titular da 8ª Promotoria de Investigação Penal, responsável por avaliar o inquérito de 175 páginas, assinou a denúncia aceita pelo TJ. No texto, a promotora afirma que Caio e Fábio atuaram em conjunto, com "divisão de tarefas".
"Na execução do crime, os denunciados agiram detendo o domínio funcional do fato, mantendo entre eles uma divisão de tarefas, com Fábio entregando para Caio o rojão com a finalidade, previamente por ambos acordada, de direcioná-lo ao local onde estava a multidão e os policiais militares e, assim, causar um grande tumulto no local, não se importando se, em decorrência dessa ação, pessoas pudessem vir a se ferir gravemente, ou mesmo morrer, como efetivamente ocorreu", diz o texto.
Risco de matar
Em outro trecho, a promotora Vera Regina de Almeida sustenta que, ao acender o rojão, a dupla assumiu o risco de matar.

"Agindo assim, os denunciados, de forma consciente e voluntária, em comunhão de ações e desígnios, expuseram a perigo a vida e a integridade física das pessoas que se encontravam no local, bem como o patrimônio público, mediante a colocação de artefato explosivo. Da mesma forma, assumiram o risco de causarem a morte de outrem, não se importando com quem estivesse próximo ao local onde o rojão foi acionado, causando, assim, a morte de Santiago Ilidio Andrade, que foi atingido na parte de trás da cabeça", diz o texto.

Fábio foi preso em 9 de fevereiro na casa dos pais, no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Oeste, e Caio foi detido no dia 12, em uma pousada em Feira de Santana, na Bahia. Eles estão presos no Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, Zona Oeste.

No dia seguinte, 13 de fevereiro, o delegado ouviu os últimos depoimentos do caso. Segundo ele, um colega de Caio do Hospital Rocha Faria, onde o suspeito trabalhava como auxiliar serviços gerais, contou na delegacia que no dia 6, durante o protesto em que o crime ocorreu, Caio telefonou por volta das 19h30, ofegante, dizendo que tinha feito besteira e matado um homem. No dia 14, o delegado entregou ao MP o inquérito sobre a morte do cinegrafista.
Financiamento
O inquérito sobre o suposto financiamento de grupos e participação de partidos políticos no protesto não será feito pelo delegado Maurício Luciano. A afirmação foi feita por ele durante a entrevista coletiva na quinta-feira. "O que nós temos aqui são provas robustas de testemunhas e materialidade do crime. Essa investigação não pode ser contaminada. Não posso trazer ingredientes políticos para cá", explicou.

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