Após impasse com prefeitura, Marcha da Maconha atrai centenas em Maceió

Após quase duas horas de negociações, os organizadores da primeira Marcha da Maconha de Maceió a entrar no calendário nacional conseguiram liberação para seguir com a caminhada pela orla de Maceió na tarde deste domingo (18). Mesmo assim, a Secretaria Municipal de Controle do Convívio Urbano (SMCCU) notificou o Coletivo Marcha da Maconha porque, segundo o órgão, os integrantes não seguiram os procedimentos legais exigidos para a realização do ato.
Marcha levou cerca de 300 pessoas à orla da Ponta Verde, segundo a PM (Foto: Rivângela Gomes/G1)Marcha levou cerca de 300 pessoas à orla da Ponta Verde, segundo a PM (Foto: Rivângela Gomes/G1)
O Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) e a Polícia Militar foram acionados para conter possíveis tumultos. O Bope chegou a fechar a via por onde passaria a Marcha após tomar conhecimento de que o grupo não tinha autorização para seguir, mas logo depois a caminhada foi liberada.

Com faixas, bolas verdes e máscaras, os ativistas, usuários e simpatizantes se concentraram em frente ao antigo Alagoinha, no bairro da Ponta Verde. A Polícia Militar estima que mais de 300 pessoas tenham participado da caminhada que pedia a legalização da maconha. O grupo seguiu até o Posto 7, no bairro da Jatiúca, onde as bandas Família 33, Macaco Sound System e Biografia Rap fariam show.

De acordo com o diretor de Convívio Urbano, Dorgival Ferreira, os organizadores do movimento deveriam ter entregue um ofício à SMCCU, à Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (SMTT) e à Secretaria Municipal de Proteção ao Meio Ambiente (Sempma). "Eles teriam também de ter pedido autorização ao Ministério Público e solicitado proteção policial antes de realizar o ato", disse Ferreira.
Homens do Bope chegaram a se posicionar para evitar que marcha acontecesse (Foto: Rivângela Gomes/G1)Homens do Bope chegaram a se posicionar para evitar que marcha acontecesse (Foto: Rivângela Gomes/G1)
Já a organização afirmou que um ofício foi entregue um mês atrás à Secretaria do Convívio Urbano, mas só ontem obtiveram resposta negativa. Segundo a integrante do Coletivo Tatiane Nicácio, a SMCCU não informou quais os procedimentos necessários à realização do ato. "Sabíamos apenas que tínhamos de pedir autorização à SMCCU e foi o que fizemos. No entanto, eles só deram resposta ao nosso ofício ontem, negando autorização", pontuou.
"O direito de manifestação está previsto na Constituição e a Marcha é um ato político, organizado e pacífico e já foi autorizada pela Justiça para acontecer nacionalmente. Impedir é uma repressão, até porque a todo momento acontecem movimentos pela cidade e nenhuma secretaria impede", completou Tatiane.
O Coletivo responsável pela Marcha em Maceió promete recorrer da notificação. "Até preferimos que eles nos notificassem porque teremos subsídio para questionar a repressão e até mesmo para mover um processo contra os órgãos que impediram o direito de manifestação", concluiu a representante.
Representante da SMCCU (a esq.) negocia com manifestantes a liberação da marcha (Foto: Rivângela Gomes/G1)Representante da SMCCU (a esq.) negocia com manifestantes a liberação da marcha (Foto: Rivângela Gomes/G1)

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