Boatos de arrastão fazem lojas do Recife fecharem as portas

Comerciantes da Rua do Rangel fecham as portas diante do boato de arrastão. Centro está vazio.  (Foto: Vitor Tavares / G1)
(Foto: Vitor Tavares / G1)
Apesar de um aparente clima de tranquilidade e ruas vazias, um boato de arrastão fez parte do comércio do Recife fechar as portas na manhã desta quinta-feira (15). A Polícia Militar está em greve no estado desde a noite de terça-feira (13). Na noite de quarta (14), houve saques a lojas e veículos que trafegavam na estrada no município de Abreu e Lima, na Região Metropolitana do Recife. Tropas do Exército e da Força Nacional de Segurança Pública já estão circulando pelas ruas do Grande Recife.

Na região da Rua da Praia e Mercado de São José, por volta das 10h, muitas lojas fecharam. Jessé Marinho é gerente de uma loja de roupas na Rua da Praia. “Não vimos nada, mas vamos agir com cuidado, já que o movimento está baixo mesmo”, contou. Cristiane Gomes foi deixar uma encomenda no Centro e não podia se atrasar. “Se não fosse isso eu não vinha de jeito nenhum. Não tem ninguém aqui hoje”, comentou.

Na Rua da Concórdia, lugar de onde teria partido o boato, todas as lojas estavam fechando, algumas já com portas cerradas. Rodrigo Costa trabalha em uma loja de instrumentos musicais e disse que nada aconteceu na rua, mas o clima é de apreensão. “Falam da Dantas Barreto, que jovens estariam se juntando, mas até agora nada”, afirmou.
No bairro da Encruzilhada, Zona Norte da cidade, houve um arrastão por volta das 10h. O grupo formado por cerca de 30 pessoas, passou em direção ao Arruda, pela Avenida Beberibe. A agência dos Correios que fica no bairro fechou, temendo arrastão, e clientes do lado de fora ficaram revoltados.
Lojas fecham as portas no centro da cidade (Foto: Vitor Tavares/G1)Lojas fecham as portas no centro da cidade (Foto: Vitor Tavares/G1)
Entenda a paralisação
Uma comissão independente de PMs iniciou a paralisação na noite de terça (13) e decidiu manter a mobilização na noite de quarta (14), após reunião com líderes do governo e representantes da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe). Nem o governo do estado nem o movimento grevista souberam especificar quantos PMs aderiram à paralisação.

Um dos representantes dos PMs, soldado Joel Maurino, afirmou que a paralisação foi mantida porque não foi fechado acordo quanto ao aumento de 50% no salário-base, uma das reivindicações da categoria. O grupo envolvido na mobilização também pleiteia, entre outros pontos, aumento do vale-refeição e estruturação do Plano de Cargos e Carreiras (PCC) da corporação.
O secretário da Casa Civil, Luciano Vasquez, informou que os PMs terão reajuste de 14,55% no contracheque de junho, equivalente à quarta parcela acordada em acerto entre governo e categoria, há quatro anos. O primeiro aumento foi em 2011, de 14%; a segunda e a terceira parcelas foram de 10%, em 2012 e 2013. Os reajustes foram concedidos sempre no mês de junho de cada ano.
O governador de Pernambuco, João Lyra Neto (PSB), solicitou na quarta-feira (14) a ajuda dos homens da Força Nacional de Segurança Pública e do Exército para substituir os PMs grevistas. As tropas começaram a desembarcar na madrugada desta quinta (15) e já estão nas ruas fazendo policiamento ostensivo. O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, virá ao estado nesta quinta, acompanhado de um general designado para comandar as ações das Forças Armadas.
O Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) decretou a ilegalidade da greve, na noite de quarta-feira. A multa prevista para a categoria será de R$ 100 mil por dia de paralisação. A ordem é para que os policiais militares voltem ao trabalho imediatamente.
G1/PE

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