Quando se procura minério no vazio


Às vezes penso ter atingido o limite, conhecido meu extremo e fechado a porta de frente.
A pior sensação do mundo é tentar extrair tesouro de uma terra infértil. Numa mente vazia não se tira grandes inovações, geralmente só se alcança enrolação forçada amarrotada no meio da tristeza e serenidade.
Daí se escolhe que carta jogar: ou transbordo desânimo, ou faço brotar contentação da própria miséria. Chega-se num ponto em que é tudo questão de dizer que tudo que se faz, se faz porque é assim que tem que ser.
Diz-se que o universo é onipotente, que o destino é que rouba ou doa as coisas, que as coisas são inevitáveis, então se deve aceitar.
Aceitação. É basicamente o que define uma rotina extremista. Você chega num ponto em que tudo te cansa e exatamente por isso é necessário silenciar.
Vem sem previsão o cansaço, a dor de cabeça, aquilo de querer fazer e não saber o quê. É a linha imaginária que define o que já foi conquistado e o que vem pela frente.
Chega um momento em que o cara já viveu. Nem muito e nem pouco, mas o suficiente pra decidir se regride ou avança. E no ponto em que se está em cima do muro, há o perigo de se desequilibrar e sofrer grandes quedas.
Se encontra a não existência do meio-termo, do tempo bom, da estabilização e um lugar pra descansar.
Chegar ao extremo é estar constantemente ativo sem mover um dedo. 
Alguém disse que depois da chuva sempre surge um arco-íris. A preocupação é que da chuva faz-se dilúvio, e no dilúvio até servente de força superior pode se afogar

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