Alunos voltam às aulas em prédio condenado pelo MPT, em Rio Largo

Alunos de uma escola municipal de Rio Largo voltaram às aulas no mesmo prédio que teve o funcionamento condenado pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) por falta de estrutura. O município já havia sido notificado, no mês de março, a transferir as instalações em até 30 dias após uma vistoria do órgão. O prazo, entretanto, não foi cumprido.
Os problemas são visíveis por toda a unidade. Há muita infiltração nas paredes, portas estão quebradas e o único espaço para recreações e merenda fica alagada em dias de chuva. "Aqui está ruim, as paredes sujas, as telhas tem que arrumar. Tem que ajeitar tudo na sala", diz o aluno Jardielson José dos Santos.
As salas de aula tem pouca ventilação e o pátio, amontoado com carteiras velhas, já não tem mais espaço, obrigando as turmas a se dividirem para a recreação. Todos esses problemas, segundo os professores, comprometem a qualidade do ensino. "Eles ficam aqui fora enquanto a gente tá dando aula, fica muito barulho", reclama a professora Luciana Márcia Alves.
Foram dois meses sem aulas desde que o MPT recomendou a transferência da unidade para outro prédio em condições de higiene e segurança adequadas. A secretária de Educação de Rio Largo, Josefa da Conceição, explicou que tenta viabilizar a transferência da escola, mas não houve acordo com a direção.  "Esta secretária empregou todo o esfroço, buscou um espaço e apresentou para a direção da escola, e esta equipe que não apresentou as três opções apresentadas por nós", afirma a gestora.
De acordo com a direção, a solução proposta à Secretaria de Educação foi a realocação da escola para um prédio em Maceió. "Os engenheiros da prefeitura disseram que seria necessária uma verba de R$ 50 mil para fazer a reforma. Nós estamos voltando só por respeito à comunidade escolar e aos alunos, que podem perder o ano letivo", expôs a diretora adjunta, Rosângela do Carmo
Uma nova sede da unidade de ensino está em construção há mais de dois anos e ainda não foi concluída. As mães dos alunos cobram a entrega e temem que os filhos tenham que estudar longe da região. "O que está faltando para eles terminarem essa escola", questiona a dona de casa Maria Jaidê.
A secretaria explica que houve atraso no processo licitatório. "Essa obra foi suspensa, mas não deveria. Não sei explicar porque não foi dado continuidade e hoje os alunos pagam pela paralisação dessa obra", completa Josefa.
Com a situação, o MPT entrou ontem com uma ação na Justiça determinando um prazo de até 30 dias para que o município faça a transferência da escola para um novo prédio que não ofereça risco aos alunos e trabalhadores. A ação também impõe prazo de até quatro meses para que a nova sede da unidade de ensino seja concluída.

G1/AL

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