Rússia e Ucrânia trocam acusações após queda do voo MH17

Destroços do avião da Malaysia Airlines um dia após queda no leste da Ucrânia. (Foto: Dominique Faget / AFP Photo)
queda do voo MH17, da Malaysia Airlines, em solo ucraniano nesta quinta-feira (17) foi alvo de reações de governos de diversos países. Em especial Rússia e Ucrânia trocaram acusações a respeito do desastre.

O avião decolou de Amsterdã, na Holanda, e voaria até Kuala Lumpur, na Malásia, mas seus destroços foram encontrados espalhados ao longo de uma vasta zona da cidade de Grabove, na região de Donetsk, que está no centro do conflito entre Ucrânia e rebeldes separatistas pró-Rússia.
Desde que o avião sumiu dos radares, o governo ucraniano denunciou a possibilidade de que a aeronave tenha sido derrubada por um míssil quando sobrevoava a região.
Horas após a tragédia, autoridades do governo dos Estados Unidos afirmaram a meios de comunicação locais que uma investigação preliminar do país concluiu que a queda da aeronave teria sido provocada por um míssil terra-ar Os rebeldes negaram a autoria do ataque e disseram que não têm armamentos capazes de derrubarem um avião a 10 mil metros de altura, como foi o caso do Boeing 777 da Malaysia Airlines.
Veja o que dizem os governos envolvidos no caso:
Quero enfatizar que não chamamos isso de acidente ou catástrofe. É um ataque terrorista"
Petro Poroshenko,
presidente da Ucrânia
UCRÂNIA
O presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko, afirmou que considera a queda do avião um "ataque terrorista" e que ordenou a investigação do caso. O governo de Kiev negou o envolvimento de suas Forças Armadas na queda do avião.

"Eu acabei de conversar com o primeiro-ministro da Holanda e expressei minhas condolências. Em nome da Ucrânia, eu convidei profissionais e especialistas da Holanda para investigar esse ataque terrorista de forma transparente. Quero enfatizar que não chamamos isso de acidente ou catástrofe. É um ataque terrorista."
Em comunicado, Poroshenko declarou que "este é o terceiro caso trágico nos últimos dias, após os aviões An-26 e Su-25 das forças armadas ucranianas serem derrubados a partir do território da Rússia". O chefe de segurança da Ucrânia, Valentyn Nalivaychenko, acusou dois militares do serviço de inteligência russo de estarem envolvidos com a queda do avião e disse que eles devem ser punidos pelo "crime". Segundo ele, a acusação é baseada em interceptações de ligações telefônicas entre os dois militares.

Essa tragédia não teria acontecido se houvesse paz nessa terra, se as ações militares não tivessem se renovado no sudeste da Ucrânia"
Vladimir Putin,
presidente russo, em comunicado
RÚSSIA
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, falou sobre a tragédia nesta quinta-feira por telefone com o presidente americano Barack Obama. Segundo a AP, ele também afirmou, por meio de um comunicado, que responsabiliza aUcrânia pela queda, mas não respondeu a perguntas sobre quem pode ter derrubado o avião, e não acusou o governo ucraniano de ter feito isso.

"Essa tragédia não teria acontecido se houvesse paz nessa terra, se as ações militares não tivessem se renovado no sudeste da Ucrânia", disse o presidente russo. "E, certamente, o Estado em cujo território isso ocorreu tem a responsabilidade por essa tragédia horrível."

Aparentemente, é um avião de passageiros, que foi derrubado pela Força Aérea da Ucrânia"
Aleksander Borodai,
líder separatista
SEPARATISTAS
Representantes da autoproclamada República Popular de Donetsk negaram que tenham armamento para derrubar um avião que voe a 10 mil metros de altura.
O líder separatista Aleksander Borodai culpou as forças ucranianas pela derrubada do avião. “Aparentemente, é um avião de passageiros, que foi derrubado pela Força Aérea da Ucrânia”, disse à emissora de TV russa Rossiya 24.

Um comunicado publicado em um site oficial dos separatistas pró-russos também culpa as forças da Ucrânia. "Testemunhas viram o Boeing 777 ser atacado por um avião de caça ucraniano. Depois, o avião comercial partiu em dois e caiu no território da 'República de Lugansk' (autoproclamada pelos separatistas no leste da Ucrânia)", informou o site.

Como os destroços do avião estão espalhados por uma área controlada pelos rebeldes, os separatistas pró-Rússia, de acordo com a agência de notícias russas RIA, estariam dispostos a um cessar-fogo de três dias para que os trabalhos de resgate possam ser realizados. Segundo a agência russa Interfax, os rebeldes disseram ter encontrado a caixa preta do avião.

Não foi um acidente"
Joe Biden,
vice-presidente dos EUA
ESTADOS UNIDOS
O vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, disse que aparentemente a queda do avião da Malaysia Airlines “não foi um acidente” e que ele foi "explodido no céu". O presidente Barack Obama estava em uma viagem a Delaware nesta quinta.

A rede de televisão CNN informou que ouviu um alto funcionário americano que afirmou que os EUA concluíram que o avião foi derrubado. Um sistema de radar identificou, segundo esta fonte, um sistema de míssil terra-ar ser ativado e detectar uma aeronave logo antes de este avião cair. Um segundo sistema viu um sinal de calor no momento em que o avião teria sido atingdo.

Os EUA, ainda segundo a CNN, estão tentando determinar de onde veio o ataque. De acordo com a agência Associated Press (AP), funcionários americanos afirmam que a Rússia enviou armamentos pesados ao leste ucraniano nos últimos meses, mas ainda é incerto se isso inclui o sistema de defesa Buk, que é operado por um veículo rastreável. A suspeita maior é que os russos tentam providenciado aos separatistas armas anti-aéreas que podem ser carregadas nos ombros.

Se houver indícios de que o avião foi realmente derrubado, nós insistimos que os culpados sejam rapidamente levados à justiça"
Najib Razak,
primeiro-ministro da Malásia
MALÁSIA
Na Malásia, de onde partiu meses atrás outro Boeing 777 da Malaysia Airlines que desapereceu sem deixar vestígios, a notícia de uma nova tragédia aérea chocou a população. Em um pronunciamento, o primeiro-ministro do país, Najib Razak, afirmou que enviou uma equipe de resgate ao local da queda e que, apesar da informação do governo ucraniano de que o avião havia sido derrubado, a Malásia não tinha como confirmar a informação até a noite de quinta.

"Mas nós precisamos –e vamos– descobrir precisamente o que aconteceu com esse voo. Nenhuma pedra vai deixar de ser revirada. Se houver indícios de que o avião foi realmente derrubado, nós insistimos que os culpados sejam rapidamente levados à justiça", disse Razak.

Esse é provavelmente um dos piores acidentes aéreos da história da Holanda"
Mark Rutter,
primeiro-ministro da Holanda
HOLANDA
A Holanda é o país de origem da maioria dos passageiros a bordo do voo MH17. Até a noite de quinta-feira, dos 295 passageiros, pelo menos 154 já haviam tido a nacionalidade holandesa confirmada. Em uma entrevista à rede de televisão pública NOS, dos Países Baixos, o primeiro-ministro holandês Mark Rutter evitou fazer declarações precipitadas sobre as causas e os possíveis culpados pela queda.

Ele afirmou, porém, que "esse é provavelmente um dos piores acidentes aéreos da história da Holanda", durante a entrevista. "Nosso pensamentos são enviados aos familiares [dos passageiros, aos amigos e aqueles que são próximos a eles", disse Rutter.

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