Sem acordo com 'abutres', Argentina dá calote na dívida

Acabou, no fim desta quarta-feira (30), o prazo para a Argentina conseguir um acordo com credores que se recusaram a negociar com desconto os débitos do país. Após a reunião com fundos que não aceitam renegociar a dívida, a Argentina entra em calote, confirmou o mediador nomeado pela Justiça dos Estados Unidos. "A República da Argentina não alcançou nenhuma das condições, e, como resultado, vai estar em default (calote)", afirmou Daniel A. Pollack, em comunicado divulgado à noite.
O ministro da Economia, Axel Kicillof, que participou da reunião, se disse surpreendido pelo comunicado. "Sinceramente, desconhecia o comunicado. Peço desculpas aos trabalhadores que estavam esperando atentamente o resultado dessas negociações", afirmou, segundo reportagem do jornal argentino "La Nación". "Me vejo surpreendido ingratamente pelo comunicado, que parece escrito para favorecer uma das partes."
Ao dizer que a Argentina "não alcançou nenhuma das condições", Pollack se referiu à negociação sem sucesso com os chamados "fundos abutres".
Esse grupo é formado por uma minoria de credores que não aceitaram a renegociação da dívida do país após o calote de 2001.
Eles entraram na Justiça dos EUA, exigindo receber de forma integral o que a Argentina lhes deve.
Essa briga dura vários anos e, no último dia 26 de junho, o juiz americano Thomas Griesa bloqueou o pagamento feito pelo governo argentino da parcela da dívida para os credores que aceitaram a renegociação.
A Argentina tinha um mês, após o vencimento, no último dia 30, para quitar essa parcela.
O calote é técnico e é diferente do calote de 2001 porque o país tem o dinheiro para pagar, mas está impedido pela Justiça.

G1

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